segunda-feira , 22 outubro 2018
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Sustentabilidade na construção: soluções aplicadas e viabilidade econômica
Na construção do Residencial Sol e Residencial Terra, foi utilizado o reaproveitamento de águas cinzas. Divulgação - Grupo EPO.

Sustentabilidade na construção: soluções aplicadas e viabilidade econômica

O Portal 2A+Construção publica uma série de reportagens especiais sobre a sustentabilidade na construção. Iniciamos com entrevistas com construtoras, incorporadoras e escritórios de arquitetura, que falam sobre as soluções em produtos e serviços sustentáveis para construção civil e sua viabilidade econômica. Confira.

Werner Bastos, arquiteto associado da Dávila Arquitetura

A viabilidade econômica a adoção de soluções sustentáveis depende do interesse de quem comercializa e utiliza um empreendimento, pois toda edificação possui um ciclo de vida: idealização, concepção, projeto, construção, uso, manutenção e final da vida útil. É o que pensa Werner Bastos, arquiteto associado da Dávila Arquitetura e especialista em arquitetura sustentável. Ele afirma que “a adoção de estratégias de sustentabilidade nas fases iniciais possibilita edificações com melhor desempenho e com menor custo de implantação. “O retorno desse investimento pode representar desde o aumento da liquidez nas vendas até uma redução nos gastos com manutenção predial”, acrescenta.

A empresa Inkorporadora bate na tecla da importância de que o máximo de boas práticas sejam consideradas para o desenvolvimento e a execução de um prédio ecologicamente correto. Para a porta-voz da empresa, Gabriela Coelho, algumas iniciativas são economicamente viáveis nesse sentido, principalmente se essas diretrizes já estão, desde o início, incorporadas ao modelo de negócio e ao desenvolvimento do projeto. “A própria escolha do terreno já pode ser uma decisão nessa linha, com áreas já adensadas da cidade e com oferta de serviços e transporte, por exemplo. O incentivo, aqui, do desenvolvimento sócio econômico da região e a racionalização do uso dos transportes (acesso ao transporte coletivo, uso de bicicletas e oferta de pontos de carga para carros elétricos) pode ser considerada uma ação alinhada com a sustentabilidade”, diz.

A porta-voz da Ink, Gabriela Coelho

Na concepção do projeto, Gabriela destaca o respeito à topografia e estar atento à insolação como sendo talvez os dois primeiros passos, simples, mas que definiriam o tamanho do impacto da construção e o futuro consumo energético (além, é claro, do conforto ambiental de cada espaço).

A definição da posição e tamanho das janelas, considerando a insolação e o uso do espaço, é outro item importante citado por ela. “Junto a isso, uso de elementos vazados, abas, brises e etc podem garantir a ventilação, iluminação e visual, mas controlando a intensidade de calor e, consequentemente, o uso intenso de ar-condicionado”, acrescenta.

As especificações de materiais e o método construtivo também podem acarretar escolhas economicamente viáveis e que ajudariam, e muito, em um empreendimento sustentável. “Uso de mão de obra e materiais da região, por exemplo, diminui gastos (e consumo) com transporte e deslocamentos. O uso de produtos não-tóxicos e com maior facilidade de manutenção e limpeza também pontuam”, afirma a porta-voz.

Um bom projeto de instalações hidráulicas e elétricas também seria fundamental para que, mesmo com baixo orçamento, a construção seja eficiente. “Soluções como aquecimento de água central, recirculação de água quente, uso de equipamento de alta eficiência, sensores para acionamento apenas quando necessário, aplicação de sistemas solares de aquecimento de água, já representam uma grande redução de consumo e não são ‘inacessíveis’ economicamente”, diz Gabriela.

Para finalizar, a porta-voz diz que estar antenado em soluções criativas e/ou tecnológicas é fundamental para obter bons resultados com um custo moderado/baixo. “Com isso, a conscientização dos usuários e envolvidos é importantíssima para que, ao longo da vida útil do empreendimento, os equipamentos e boas práticas indicados continuem em operação”.

Márcia Santos, gestora de obras do Grupo EPO

O Grupo EPO, que atua há 25 anos no setor da construção civil, tem como premissa desenvolver empreendimentos de alto padrão com soluções inovadoras, ousadas e sustentáveis, que proporcionem qualidade de vida e harmonia com o meio ambiente. “Na construção do Residencial Sol e Residencial Terra, ambos no Vale do Sereno, foi utilizado, por exemplo, o reaproveitamento de águas cinzas (que são as águas residuais não industriais e derivadas de processos domésticos). Elas passam por um tratamento adequado e o reúso é destinado principalmente para descargas sanitárias e irrigação”, cita Márcia Santos, gestora de Obras do Grupo EPO.

A construtora utilizou também a capacitação da energia solar para aquecimento da água. O projeto arquitetônico dos residenciais também foi idealizado para aproveitar ao máximo a claridade e a ventilação natural, o que também gera uma economia no uso da energia elétrica. As garagens também foram projetadas para aproveitar a iluminação natural, que é um diferencial.

“A EPO também utilizou o sistema de faixada aerada nos residenciais que proporcionam conforto térmico, acústico, reduz a umidade e infiltrações, o que auxiliar na conservação de todo o prédio. Além disso, foi utilizado um sistema de vedação com esquadrias de alumínio para isolamento temo acústico”, diz Márcia.

Aspectos como ocupação planejada e valorização do entorno também são prioridades para a construtora. “Nos residenciais Sol e Terra, também investimos em modelos diferenciados de ocupação, com respeito à cota mínima de ocupação urbana e extensas áreas verdes e, ao mesmo tempo, com acesso a lazer, comércio, serviços, educação, saúde, tudo com muita qualidade. O baixo adensamento resulta em minimização do impacto visual, incorporação de soluções sustentáveis, qualidade de vida, uso racional dos recursos naturais, contato com a natureza, entre outros”, conclui a gestora de Obras do Grupo EPO.

Gerson Castanho, diretor técnico de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Rôgga Empreendimentos.

Gerson Castanho, diretor técnico de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Rôgga Empreendimentos, afirma que produtos relacionados à tecnologia e que, consequentemente, geram economia ao empreendimento, são sempre bem vistos pelos compradores. “Como exemplo disso, a Rôgga Empreendimentos já possui em seu portfólio a entrega das áreas comuns das torres com lâmpadas LED e sensores de presença. Para os lançamentos de 2018, serão inclusos torneiras com dispositivos economizadores de água e luminárias de LED na sacada”, diz.

Daniel Katz, presidente da Katz Construções, afirma que atualmente a empresa prioriza o que há de mais moderno no mercado e de mais novo em tecnologia para nossos produtos e serviços. “Na Katz somos movidos por inovação, qualidade e bom gosto e por isso buscamos sempre pelo que tem de melhor, pelo que vai facilitar a gestão, vai economizar tempo, e ainda pelo que impacta menos o meio ambiente”, ressalta.

A BKO adota as lajes, pilares e vigas internas das unidades em concreto tratado aparente. O custo, segundo o Especialista de Projetos Felipe Kobylko, tem pouca diferença da solução tradicional de gesso, que seria prejudicial ao meio ambiente. “Outro ponto é que apoiamos a adoção de soluções de transporte limpas. Nossos projetos contam com bicicletários diferenciados nos empreendimentos. Além disso, prevemos vagas para carros elétricos e entregamos bikes elétricas para uso do condomínio”, acrescenta.

Kobylko afirma que a empresa está transformando a forma do uso de seus empreendimentos mais atuais. “Exemplo disso são as escadas de incêndio. De um local escuro e desagradável, transformamos em um local que nossos clientes optem por utilizar. Um local criativo e amplo, onde ao invés de utilizar energia para o deslocamento vertical eles terão um incentivo para se manterem saudáveis e economizando energia”, afirma.

Ana Paula Caramico, coordenadora de projetos da Porte Engenharia e Urbanismo.

Ana Paula Caramico, coordenadora de projetos da Porte Engenharia e Urbanismo, afirma que a empresa implanta medidas sustentáveis como: fachada industrializada, aquecimento solar e isolamento acústico com lã de pet. “São sistemas e materiais que geram mais eficiência térmica, acústica e energética, além de menor quantidade de resíduos descartados no caso das fachadas ventiladas. Hoje temos outros desafios que foram idealizados pelos nossos gestores e vieram de encontro com o novo Plano Diretor de São Paulo. Dentre eles está o Eixo Platina, que visa o desenvolvimento humano e urbano da região Leste, e dentre uma série de objetivos, um deles é a redução do deslocamento da população para as áreas centrais em busca de trabalho e estudo qualificados, reduzindo consideravelmente a geração de CO2”, diz.

“Também temos implantado o conceito de edifícios mistos com residenciais compactos, que são edifícios com potencial para serem autossuficientes, aliando moradia, emprego e serviços em um mesmo local, sem necessidade de locomoção para outras áreas da cidade. Esses edifícios estão estrategicamente posicionados próximos a corredores de ônibus e linhas de metrô minimizando a necessidade do uso do automóvel”, conclui.

Edison Tateishi, diretor de Operações e de Engenharia da Lafaete.

Edison Tateishi, diretor de Operações e de Engenharia da Lafaete, destaca que a empresa oferece locação de equipamentos, tais como escavadeiras, retroescavadeiras, pá carregadeiras, motoniveladoras, caminhões basculantes, caminhões munck, carretas, módulos habitacionais, geradores etc. Além disso, oferece também venda de módulos habitacionais (tipo contêiner), telhados em steel frame, galpões modulares termoacústicos, estruturas metálicas pesadas e leves (steel frame), que podem ter diversas aplicações inclusive para construção de casas, comércios e construções em geral.

Desafios

Dentre os maiores desafios para a sustentabilidade em obras, Werner Bastos, da Dávila Arquitetura, cita o treinamento e a capacitação dos operários da construção quanto às práticas sustentáveis. “Em outras palavras, para que a execução de uma obra seja o mais sustentável possível, é mandatório que a teoria seja convertida em prática, através da instrução e acompanhamento do trabalho dos operários e fornecedores de serviços. Aos cursos de segurança do trabalho, por exemplo, podem ser agregados valores e práticas de organização, limpeza e redução de impactos ambientais dos canteiros de obra como um todo”, explica.

Já Daniel Katz destaca a aplicação de tecnologias, produtos e serviços que facilitem o dia a dia nas obras, que agilizem processos e que ao mesmo tempo não prejudiquem o meio ambiente. “Mas principalmente, que tenham qualidade e preços acessíveis”, diz o executivo.

Gabriela Coelho acredita que os maiores desafios são a falta de qualificação da mão de obra, políticas urbanas frágeis e a adequação dos processos e dos fornecedores. “Com as normas e certificações cada vez mais presentes, estamos aperfeiçoando e buscando parceiros que tenham essas mesmas premissas. Controle e gestão de resíduos, qualidade do ar, uso correto das ferramentas e materiais, execução conforme projeto são as atividades corriqueiras do canteiro de obra que mitigamos com construtoras e parceiros que, justamente, prezam pela excelência e qualidade”, diz.

Segundo a porta-voz da Inkorporadora, a empresa procura contornar alguns desses desafios com medidas, como:

– Descontruir e não demolir

Descontruir é um processo que se caracteriza pelo desmantelamento cuidadoso de um edifício, de modo a possibilitar a recuperação de materiais e componentes da construção, promovendo a sua reutilização e reciclagem.

– Escolha de materiais

Os materiais utilizados na construção dos prédios da Ink são, em sua maioria, recicláveis, menos poluentes (como alguns tipos de colas e tintas), e também os chamados “materiais regionais”, ou seja, produzidos em um raio máximo de 800km da obra. Além disso, só utilizamos materiais rapidamente renováveis e madeira certificada e nunca proveniente de extração ilegal.

– Gerenciamento da Qualidade do Ar Interno

Ainda durante a construção, é importante preocupar-se com a baixa emissão de composto orgânico volátil, os VOC’s. Para isso, é preciso pensar na utilização de materiais que produzam menos poeira e, dessa forma, menos acúmulo dela. A escolha de adesivos e selantes, assim como tintas e vernizes, é bastante cuidadosa nesse sentido e sempre à base de água.

Para Márcia Santos, gestora de Obras do Grupo EPO,  um dos principais desafios para elaborar projetos cada vez mais sustentáveis é a viabilidade econômica. “A maioria das tecnologias empregadas geram benefícios aos proprietários/moradores, mas para os construtoras ainda sai caro. Isso está começando a mudar com o surgimento de empresas que atuam especificamente no fornecimento de tecnologias e serviços sustentáveis como é o caso dos serviços de energia fotovoltaica, por exemplo”.

Dentre os desafios em sustentabilidade, Ana Paula Caramico, da Porte Engenharia e Urbanismo, cita a conscientização das equipes das obras durante a execução dos empreendimentos. “Os hábitos conscientes precisam tornar-se rotineiros.

Quanto aos desafios nos empreendimentos, temos a conscientização dos síndicos e gerentes prediais quanto ao correto uso e operação dos sistemas eficientes implementados, que demandam atenção e capacitação apropriadas”, afirma.

Pensando em gerações futuras, o uso da madeira na construção civil é, de acordo com Gerson Castanho, da Rôgga Empreendimentos dúvidas, o maior vilão, isso porque o processo construtivo convencional demandaria um grande número desta matéria prima. “Por exemplo, o uso da madeira para executar as fundações, lajes e elementos estruturais. Outro desafio é a implantação de mais produtos sustentáveis que se enquadrem nos valores das linhas de produto do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV), do Governo Federal”, diz.

Iniciativas

Profissionais entrevistados afirmam que suas empresas possuem iniciativas voltadas para a sustentabilidade na construção. Gerson Castanho conta que a Rôgga investe pesado em tecnologia e inovação para oferecer soluções cada vez mais sustentáveis. Desde 2015, segundo ele, são mais de R$ 17 milhões, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), destinados à implantação definitiva do sistema Rôgga Edifícios Sustentáveis (RES), que objetiva desenvolver empreendimentos projetados com soluções de sustentabilidade, gerando mais qualidade, mais competitividade e mais eficiência ambiental. “O sistema RES resulta em até 80% de diminuição dos resíduos gerados durante a construção dos empreendimentos, entre outros benefícios”, diz.

O apoio culminou na implantação do Centro de Preparação e Logística (CPL), uma área de 2 mil m² localizada no do Perini Business Park, em Joinville (SC). “Para os empreendimentos que chamamos de obras industrializadas, a Rôgga conta com auxílio do CPL que produz, em um ciclo de 20 horas, as peças utilizadas para concepção estrutural da obra. Dentre as principais, estão as lajes, vigas, vergas e contra-vergas. Desta forma, a obra utiliza 0% de madeira para execução deste processo construtivo. Outra iniciativa que a Rôgga aderiu foi a destinação correta dos resíduos gerados pelo canteiro de obra, em paralelo com a política interna de redução de resíduos e geração de lixo”, relata.

Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Saint Gobain.

Através de um sistema próprio, em desenvolvimento já há alguns anos, a Dávila procura definir soluções arquitetônicas sustentáveis, pelo menos naquilo que esteja em seu alcance. “Já é muito comum, no entanto, que estas práticas sejam demandadas pelos próprios clientes, por ideal próprio ou visando algum tipo de certificação da qualidade de sustentabilidade do empreendimento. Neste rol, temos alguns projetos nossos como o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Saint Goban (Capivari-SP), além dos edifícios Concordia Corporate, Kadosh e Albert Scharlé na região de Belo Horizonte e os complexos do Lumine Park e ION Escritórios Eficientes, em Brasília, dentre outros em fase de conclusão ou ainda na etapa de projeto”, afirma o arquiteto Werner Bastos.

Todos os empreendimentos do Grupo EPO tem esse apelo pela sustentabilidade e para cada um é realizado um estudo para saber qual técnica pode ser empregada no projeto. “Outro exemplo é o Edifício Marly Viana, no Santa Efigênia, no qual foi utilizados recursos sustentáveis do ecotelhado, com 700 m² de área verde no último pavimento. A solução melhora a sensação térmica e acústica do empreendimento e garante a melhor ocupação do terreno”, diz  a gestora de Obras Márcia Santos.

A gestão de resíduos nas obras da EPO também é apontado como algo primordial e tem início na concepção dos projetos. “Tudo é pensado para gerar cada vez menos descarte e reaproveitar o máximo. Os colaboradores também são capacitados e conscientizados para reutilizar e reciclar na própria obra e para segregar na fonte. Estabelecemos procedimentos simples que contribuem para que o processo diário de cada obra se torne mais eficiente e sustentável. Nosso foco tem sido evitar a geração de resíduos sólidos e, consequentemente, seu descarte e desperdício zero”, afirma Márcia.

Para aplicar técnicas sustentáveis em seus empreendimentos, a Inkorporadora conta com a parceria da Sustentech.  Um outro exemplo importante citado pela porta-voz Gabriela Coelho é em relação a transportes alternativos e veículos de baixa emissão: “procuramos pensar sempre no fácil acesso ao transporte público no local onde nossos prédios estão ou estarão inseridos. Além disso, eles têm bicicletários e vagas exclusivas para veículos de baixa emissão. Todos os empreendimentos Ink terão pontos de recarga para carros elétricos”, diz.

Outra medida é relacionada à luz do sol. “As janelas do edifício Tetrys são um bom exemplo. As aberturas bem maiores do que as tradicionais privilegiam iluminação e ventilação naturais. Isso causa redução do consumo de energia (evita o uso do ar condicionado, por exemplo) e melhora a qualidade de vida”, conclui.

Daniel Katz, presidente da Katz Construções, tem como exemplo de iniciativa sustentável o Beverly Hills, empreendimento da construtora localizado no bairro Vila da Serra, em Nova Lima (MG). “Com estrutura moderna, o prédio, que tem 19 andares, conta com uma estação para carros híbridos e bicicletário para bikes elétricas. Possui dispositivos para economia de água, captação de águas pluviais, aquecimento de água com uso de energia solar e iluminação com maior eficiência e economia de energia. O edifício ainda é todo preparado para a coleta seletiva e dispõe de áreas verdes permeáveis. A água da chuva, armazenada em reservatórios especiais para retorno equilibrado, é utilizada na limpeza de áreas e jardins. O empreendimento também disponibiliza medição individual de consumo de água, luz e gás, o que permite que cada morador pague exatamente o que consumir, evitando assim o desperdício”, relata.

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